17 de jun. de 2010

Rita Lee estreia tour 2010 em BH com música e política

Tuane Soares
Dandara Andrade
Renato Vieira

Apesar da energia, “ETC...” precisa de ajustes.

Rita Lee já cansou de ser chamada de “irreverente”. Mas, quem assistiu a estreia da turnê ETC... neste sábado (12 de abril) no Chevrolet Hall, deve concordar que “vital" é o melhor adjetivo para definir a cantora e compositora. Ela estava mais contida do que de costume, mas deu pra perceber que o pique de sempre está lá. Apesar de não ter grandes diferenças em relação a Picnic, espetáculo que ela apresentou por aqui no ano passado, o roteiro inclui canções que ela há muito não cantava, como Atlântida e Vírus do Amor. ETC... não tem origem em nenhum disco novo. Ela está compondo para um próximo CD, mas preferiu cantar o que o público queria ouvir: sucessos. É a terceira vez que a paulistana escolhe a capital mineira para estrear um show, já que, de acordo com a própria, se sente em casa. “É sempre bom ver show dela. Representa muito para a MPB, é legal estar próximo de alguém assim”, disse Isabela Moreira, de 25 anos, fã de Rita “desde sempre”.

Mesmo com o calor típico da casa (não é a toa que muitos chamam de Chaminé Hall), o show soou morno. Ainda falta encaixar a ordem das músicas e dar um up nos arranjos. Valeu mesmo pelos “impropérios” ditos por Rita. O público se empolgou no inicio, ao ouvir os primeiros acordes de "Agora Só Falta Você”. Depois, ela se apresentou, com um ar “deboche-blase”: “olá. Meu nome é Rita, tenho sessenta e dois anos e esse é o trigésimo octogésimo nono show que faço”. Na sequência, um “Banho de Espuma” ali, uma “Ovelha Negra” aqui e as sempre espirituosas intervenções da roqueira. “Esses quatro meses do ano foram meios esquisitos. Muitos desastres. Mas a verdadeira tragédia está por vir: as eleições”.

A política sempre teve palanque cativo nos shows de Rita em BH. Em 2002, ao apresentar no Palácio Das Artes o show “Ye Ye Ye de Bamba”, ela desceu do palco (“a gente pega muita churrascaria e fica deslumbrado quando entra num teatro assim”) para perguntar a alguns membros da platéia em quem eles votariam na eleição presidencial daquele ano. E é claro que dessa vez aproveitou para dizer o que acha dos atuais presidenciáveis. “O Serra é um horror, Dilma é chata, nem parece mineira. Marina Silva é fraquinha, precisa de vitamina”. Para finalizar: “Não voto no Ciro (Gomes). Mas na Patrícia Pillar eu voto”.

A entrosada banda que acompanha Rita há bastante tempo jogou na retranca. Breno Di Napoli (Baixo) e até mesmo Roberto de Carvalho (Guitarra e Vocal) pareciam tensos, o que é natural numa estréia. Isabela também notou a intranqüilidade do músico: “Ele (Roberto) é sempre na dele no palco, apesar de ótimo guitarrista, mas dessa vez estava mais travado do que de costume”. O marido da cantora até fez um número solo, cantando “It´s Only Rock. n´roll”, dos Rolling Stones. Mas quem chamou mesmo atenção foi Michael Jackson!!

Não foi dessa vez que o rei do pop cruzou com a rainha do rock. Talvez em uma próxima vida. Nikki Goulart, o cover, conseguiu incorporar todos os trejeitos e maneirismos ao dublar Bad. Foi o grande momento do show. Quando o destaque do espetáculo de um artista não é o próprio, é sinal que algo precisa mudar. As backing vocals Rita Kfouri e Débora Reis, além de Beto Lee conseguiram se destacar, pela presença no palco. Sobre este último, Isabela é só elogios: “não é só um rostinho bonito”, brincou. Não foi um show digno de Rita Lee. Mas, para quem disse em "Jardins da Babilônia" não ter saúde de ferro, ficou apenas o desejo de outra música: "quero mais saúde". Conseguiu.

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